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      Nova geração de emigrantes
Milhares de jovens saem todos os anos de Portugal por motivos profissionais


 

Para os jovens de hoje, o mundo não tem fronteiras


São jovens ambiciosos que procuram no estrangeiro o que não encontraram em Portugal. Desiludidos com a falta de oportunidades, fazem parte de uma geração de emigrantes para quem o país se tornou demasiado pequeno.
  Quando lhe perguntaram se estaria interessado em fazer o doutoramento em Bruxelas, Francisco Santos ficou sem reacção: “nem soube o que dizer; fui ao Porto para participar numa conferência e saí com uma bolsa de doutoramento no estrangeiro”.

Francisco tem 24 anos e acabou a licenciatura em Física, na Faculdade de Ciências de Lisboa, em Junho de 2004. Tal como acontece com muitos recém-licenciados, Francisco esteve desempregado bastante tempo. “Em Portugal, seria difícil arranjar trabalho. O mercado é muito pequeno e a investigação científica é quase inexistente”, comenta.

A experiência de Francisco é semelhante à de muitos outros jovens portugueses. Seja por falta de oportunidades de emprego, por condições económicas ou pelo desafio profissional, a verdade é que são muitos os que procuram prosseguir a carreira fora do país.

Foi o que aconteceu com Sofia Alexandre, após concluir o curso de Filosofia da Faculdade de Letras. Sofia é emigrante nos Estados Unidos e encontra-se actualmente a dar aulas de filosofia e português. Sofia explica a opção: “dei aulas de filosofia em Portugal durante um ano e, perante a hipótese de ficar sem colocação no ano seguinte, decidi arriscar”.

Nenhum destes jovens esconde as saudades de Portugal. A família, os amigos e a comida são por norma o que mais motiva nostalgia. “É o preço a pagar”, diz Francisco. “Felizmente que existem as casas dos emigrantes, onde podemos falar a nossa língua e comer um pastel de nata”, brinca o jovem.

Francisco e Sofia mostram-se contentes com a decisão tomada. Concordam com a dificuldade em abandonar o seu país, mas confessam que nunca teriam “oportunidades semelhantes” em Portugal. Francisco exemplifica com a sua situação ao dizer que, “numa questão de dias”, passou de desempregado em Portugal para bolseiro em Bruxelas. “Agora estou a fazer o doutoramento e, ao mesmo tempo, investigação científica”, conclui.

É perante este cenário que se justifica a desilusão com o país natal. A ausência de um mercado de trabalho forte e os rendimentos pouco atractivos são as críticas mais comuns feitas a Portugal por estes jovens.

Sofia acrescenta ainda o significado profissional que tem trabalhar no estrangeiro. “Profissionalmente, é muito positivo, não só pela experiência actual, mas também pelas portas que poderá abrir no futuro”, sublinha.

Numa época em que as fronteiras entre os países são cada vez mais ténues, a ideia de que Portugal não consegue segurar os seus jovens acentua-se. A saturação de certos mercados de trabalho e a falta de investimento noutros são apensa uma parte do problema.

João Almeida trabalha há um ano em Espanha, numa empresa multinacional, como director comercial de zona. Este jovem expõe um ponto de vista diferente, ao afirmar que “Portugal é um país periférico” e que esse facto está também na origem do grande número de jovens que abandonam o país. João explica que em certas áreas é necessário emigrar para evoluir. “O nosso país tem um peso reduzido na Europa e as grandes empresas preferem implementar as suas sedes regionais noutros países”, explica o jovem, garantindo que “quem tiver ambições em chegar longe, tem que sair do pais”.

As histórias dos três jovens tocam-se num ponto: a mágoa por serem obrigados a abandonar Portugal. Consideram-se subaproveitados no seu país e temem pelas gerações futuras. Francisco afirma que “Portugal afunda-se em relação à Europa ao não aproveitar o capital humano que possui”.

E perante a questão se desejam voltar para Portugal, as respostas são semelhantes. Todos ambicionam regressar a curto ou médio prazo, mas sabem que ficarão a perder. “Não há dia em que não pense em voltar”, lamenta Sofia, “mas depende das hipóteses que surgirem”. Para esta jovem, o problema é que “dificilmente as propostas oriundas de Portugal serão tão aliciantes como as de muitos outros países”.

     
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João Silva
joaoduraosilva@yahoo.com