“A grande eficácia dos blogs é permitir uma comunicação, horizontal, vertical e em rede, contornando todos os filtros da Comunicação Social, fortemente dominada por interesses e grupos de interesses”, afirma Miguel Murtosa do The Great Portuguese Disaster, (online desde o início de Novembro de 2005).
“Um fenómeno interessante nestas eleições é o papel dos blogs na contrapropaganda, ou seja, os que surgem anti este ou aquele candidato”, afirma Filipe Blanch Diniz do Mais Livre. De facto,os blogs, novas formas de comunicação política, apresentam-se como uma novidade nas Eleições Presidenciais.
Os websites oficiais dos candidatos presidenciais apresentam um formato distinto dos blogues. “ Disponibilizam a informação oficial das candidaturas e os textos oficiais dos candidatos”, afirma Luís Novais Tito do Alegrar a Cidadania. Os blogues “não estão sujeitos à lógica da campanha, não a vinculam e não a comprometem”, continua. “Não são a voz do seu dono”, corrobora Miguel Murtosa.
“Cada época tem o seu ícone de comunicação social. Neste arranque do século XXI, o blogue, misto de diário e de artigo de opinião goza de uma personalização e de uma autenticidade que estavam cerceadas”, afirma Miguel Murtosa. Registo pessoal do dia-a-dia, espécie de diário público que atrai leitores interessados em assuntos muito específicos ou em opiniões pessoais, os blogues “permitem a publicação de opiniões e conhecimento de forma gratuita e sem complexidade”, afirma Luís Novais Tito.
A liberdade de expressão foi o que motivou a criação do The Great Portuguese Disaster, “logo depois do nick name Arrebenta ter sido censurado e banido do espaço de comentários do Expresso online, onde campeou, abatendo Portas, Durões, redes pedófilas e Carrilhos”, explica Miguel Murtosa.
“Deixou-se aos autores a total liberdade de publicarem nos seus espaços os textos que entendessem”, explica Luís Novais Tito. Entendidos como um espaço de liberdade e universalidade, os blogues não estão submetidos ao controlo do poder político. “Postar é um modo de passar informação, mesmo que na forma satírica, que, de outro modo, seria impedida de circular nos meios correntes de comunicação social”, afirma Miguel Murtosa.
O Alegrar a Cidadania, “liga a liberdade de expressão dos autores que publicam nos seus próprios endereços”, continua Luís Novais Tito. Para Miguel Murtosa, a independência e a autonomia são os grandes trunfos do que designa como “blogues não alinhados” que define como sendo “apenas a voz e o timbre de quem os escreve”.
Texto de Carla Jorge, Débora Lopes