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APÓLOGO
Género alegórico
que consiste numa narrativa que ilustra uma lição de sabedoria,
utilizando personagens de índole diversa, reais ou fantásticas, animadas
ou inanimadas. Servem de exemplos clássicos os apólogos de Fedro e Esopo.
Confunde-se facilmente com a fábula, embora esta se concentre mais em
relações nais que envolvem coisas e animais, e com a parábola, que se
ocupa mais de histórias entre homens e figuras alegóricas com sentido
religioso. Hegel considera-a uma forma de parábola: “Pode-se considerar
o apólogo como uma parábola que não utiliza apenas, e a título de
analogia, um caso particular a fim de tornar perceptível uma
significação geral de tal modo que ela fica realmente contida no caso
particular que, no entanto, só é narrado a título de exemplo especial.”
(Estética, II, 2c, Guimarães Editores, Lisboa, 1993, p.223).
No século
XVII, em Espanha, fizeram escola os apólogos de Los Sueños, de
Quevedo, e Coloquio de los perros, de Cervantes. Ficaram célebres
entre nós, os Apólogos Dialogais (1712), de D. Francisco Manuel
de Melo. Como todos os apólogos, têm por fim interferir de alguma forma
com o comportamento social e moral dos homens, modificando-o pelo
exemplo, se possível. No século XIX, registam-se os Apólogos
(1820), de João Vicente Pimentel Maldonado, poeta menor do arcadismo,
inspirado nas fábulas de La Fontaine, e “Um Apólogo”, de Machado de
Assis (incluído na colectânea Várias Histórias, 1896). Os
Contos Tradicionais Portugueses, compilados por Teófilo Braga, são,
na maior parte, verdadeiros apólogos.
Bib.:
Maria Judite F. de Miranda, “Os apólogos dialogais primeiro e segundo de
D. Francisco Manuel de Melo”, Revista da Universidade de Coimbra,
20 (1962); Maria de Lourdes Cortez: “Relendo D.Francisco”, Jornal de
Letras (3-12-1985).
Carlos Ceia |