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Ekphrasis
Termo
grego que significa "descrição" (no plural, ekphraseis),
aparecendo em primeiro lugar na retórica de Diónisos de
Halicarnasso (Retórica, 10.17). Tornou depois um
exercício escolar para aprender a fazer descrições de pessoas ou
lugares. O locus classicus na literatura épica é a
descrição do escudo de Aquiles feita por Homero (Ilíada,
18, 483-608). Virgílio seguiu o mesmo modelo para a descrição do
escudo de Eneias na Eneida (8, 626-731).
Um outro tipo de
ekphrasis concentra-se em descrições epigramáticas de
pinturas e estátuas, como La galeria de Marino e muita
poesia emblemática. O termo alemão Bildgedicht
corresponde praticamente ao conceito de ekphrasis, neste
sentido de descrição de uma obra de arte (pintura ou escultura).
Os poetas românticos recorreram amiúde a este artíficio, tendo
ficado célebre, por exemplo, a "Ode on a Grecian Urn", de Keats.
Naturalmente, o recurso às descrições particulares está presente
em muita poesia contemporânea, sobretudo a partir do momento em
que a poesia se tornou cada vez mais próxima da prosa narrativa.
Na literatura portuguesa, o livro Metamorfoses (1963), de
Jorge de Sena introduz um tipo de poesia descritiva que tem como
objecto de contemplação toda a obra de arte visual. Este tipo de
descrição plástica, não limita o conceito de ekphrasis a
uma simples e passiva exposição dos dados observados, mas
conduz-nos a um exercício reconstrutivo do que foi examinado,
querendo interferir subjectivamente nas qualidades do objecto. O
poeta ecfrástico raramente se contenta com uma descrição
objectiva do que observa, quando tem a possibilidade de
comunicar livremente o seu próprio gosto. A Secreta Vida das
Imagens (1991), de Al Berto, ou Depois de Ver (1995),
de Pedro Tamen, podem ilustrar o lado dinâmico da ekphrasis.
DESCRIÇÃO;
EMBLEMA
Bib.:
Emilie L. Bergmann: Art Inscribed: Essays on Ekphrasis in
Spanish Golden Age Poetry (1979); Fernando J. B. Martinho:
“Ver e depois: a poesia ecfrástica em Pedro Tamen”,
Colóquio-Letras, 140/141 (1996); Maria Fernanda Conrado:
«Ekphrasis e Bildgedicht: processos ekphrásticos
nas metamorfoses de Jorge de Sena», Tese de mestrado,
Universidade de Lisboa (1996); Murray Krieger: Ekphrasis: The
Illusion of the Natural Sign (1992).
Carlos Ceia
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