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SCRAPBOOK
Literalmente, livro de apontamentos ou esboços de
textos, ou simples colectânea de fragmentos textuais ou
plásticos, recolhidos por um autor com fins diversos,
desde a preparação de um livro maior à mera recolha de
informação de interesse pessoal.
O OED
define-o
como “a
blank book in which pictures, newspaper cuttings, and
the like are pasted for preservation. Hence
occasionally, as the title of a printed book of
miscellaneous content.”
(vol. VIII, p.263). O termo abrange tipos diversos desde
miscelâneas infantis a diários e compilações.
Sumariamente, recorre a técnicas diversas da miscelânea
e da compilação
tais como o recorte, a colagem e a montagem de
elementos exteriores vários, transportados para o espaço
da página em branco, com o intuito de preservar
elementos.
Tratam-se de livros claramente derivativos dado que se
compõem de elementos exteriores adicionados a um
suporte-papel em estilo
patchwork.
São geralmente regidos por um tema unificador, o que
contrapõe o scrapbook à sua raiz: o
commonplace book
(conjunto de citações, máximas e preceitos sem tema
unificador compilados por um indivíduo) que conheceu
sucesso no século XVI. No século XVII, registam-se já
álbuns de recortes e desenhos organizados por
coleccionadores, tornando-se o livro um misto de texto
impresso e
scrapbook. No século XVIII, a
Biographical
History of England, de William Granger, incluía
páginas em branco destinadas à colagem de recortes e
ilustrações. Na época vitoriana, os
scrapbooks temáticos eram práctica corrente,
versando testemunhos de realizações pessoais e histórias
de aventuras. Devido ao crescimento exponencial de
material impresso (jornais, calendários, ilustrações),
surgem na Alemanha, cerca de 1840, os
scraps.
Compunham-se de ilustrações coloridas em folhas que
versavam um tema específico (o natal, a flora, a fauna),
podendo ser cortadas e coladas, constituindo-se como o
antecedente dos actuais autocolantes. No século XX, os
avanços tecnológicos na área da fotografia, da
cromolitografia e a rentabilização do trabalho de
impressão impulsionaram a popularidade dos
scrapbooks
que se afirmam assim como compilações informais de
objectos e material diverso sobre um tema.
Inicialmente, os
scrapbooks eram relegados para segundo plano e
negligenciados, catalogados com mero interesse
biográfico dada a natureza pessoal e única de cada
compilação. Posteriormente, começaram a ser considerados
como fontes primárias de estudo. Detêm o seu lugar como
forma comum de preservar fotografias, artigos,
documentos e outros objectos, consubstanciando-se numa
categoria abrangente que integra jornais íntimos e
diários, narrativas dispersas, autobiografias, memórias
e afins.
http://www.tulane.edu/~wclib/scrapbooks.html
http://www.well.com/user/bronxbob/resume/54_7-93.html
Maria de Lurdes Afonso
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