semema


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ISBN: 989-20-0088-9

 

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© Carlos Ceia

2005

 

Centre for English, Translation and Anglo-Portuguese Studies

Research group:

Literature, Media and Discourse Analysis

 

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SEMEMA

Termo cunhado por Bernard Pottier para designar o conjunto de traços mínimos distintivos de significação (semas) que referem a substância do conteúdo de um signo mínimo (morfema ou lexia).  Pottier assim representa as diversas espécies de semas:

semas específicos 

  semas genéricos

                   semas   virtuais

Os  semas específicos (que constituem o semantema) distinguem contextualmente os morfemas (ou  lexias, palavras vistas apenas sob o conteúdo semântico); os genéricos (que formam o classema) são os semas comuns a dois ou mais morfemas, enquanto os virtuais (ou virtuemas), nem sempre descritos, referem semas conotativos. As três classes podem ser representadas por semas descritivos (referem-se à natureza do termo estudado) ou aplicativos (referem-se à função ou destinação). Segue-se uma exemplificação desses usos, colhida em obra do autor (v. bibliografia). Seja a lexia ‘armário’:

                                              DESCRITIVOS                           APLICATIVOS

 

Semantema                       / fechado por portas/              /para guardar objetos domésticos/

                                /provido de estantes ou gavetas/

 

Classema                                  /material/

                                               /descontínuo/

 Virtuema                                                                                          /em madeira/

      Nas grades em que se analisam dois ou mais sememas, os semas constituintes do classema são positivos, isto é, estão caracterizados por sua presença, convecionando-se marcá-lo com o sinal + (por exemplo, /+ animado/); já os do semantema jogam com a presença ou ausência dos semas, neste último caso marcado com – (- adulto, numa distinção entre as lexias ‘homem’ e ‘criança’, por exemplo). Consideram-se indiferentes os que podem ou não figurar na grade, sendo marcado por ~. Veja-se a grade a seguir, em que se analisam os sememas de ‘morrer’, ‘perecer’ e ‘falecer’:

 

                                               ‘morrer’           ‘perecer’              ‘falecer’

/cessar de viver/                           +                       +                          +

por acidente brutal/                       ~                      +                          -

 

     Embora o semioticista A. J. Greimas se valha do termo, fá-lo com outro sentido. Segundo ele, o semema é pertinente ao lexema, que admite, em geral, vários sememas, sendo estes correspondentes ao que entendemos em linguagem ordinária por “sentido particular”, “acepção” de uma palavra. Em outras palavras, o lexema é um conjunto de sememas (em casos esporádicos, se o conjunto é formado por um único semema, denomina-se estrutura monossemêmica). Tais sememas possuem dois tipos de semas: (i) os que são comuns a vários ou todos os sememas de um mesmo lexema, constituindo seu núcleo sêmico (figura nuclear) e (ii) os que provêm dos usos contextuais do lexema e constróem sua base classemática (classema). Logo, a figura nuclear é imanente e o classema surge na manifestação do semema. O lexema cabeça possui, em sua figura nuclear, por exemplo, semas como /+ extremidade/ e /+ superioridade/, nos seguintes sintagmas: “Ele é o cabeça do levante” ou “Examinou tudo da cabeça aos pés”. Já o sema /+ arredondamento/ faz-se presente em: “O chapéu não lhe coube na cabeça”. Quanto aos classemas, são formados por semas (positivos, negativos ou positivos e negativos) diferenciadores dos sememas descritos. Poderíamos, numa acepção corriqueira de líquido ter, segundo sua temperatura, /+ frio/, /-frio/ e /± frio/, este último correspondendo a “morno”. A formulação de Greimas permite, pois, que se efetue a distinção entre parassinonímia e sinonímia, pela “economia” dos semas contextuais, bem como, graças à figura nuclear, é fundamental na distinção sincrônica entre a polissemia e a homonímia. 

 análise sémica; CLASSEMA; LEXEMA; MORFEMA; SEMA; SEMANTEMA

Bibliografia resumida: (a) POTTIER, Bernard. Linguistique générale. Théorie et description. Paris: Klincksieck, 1974. (b) _____________. Gramática del español. 2 ed. reestructurada, Madri: Alcalá, 1970. (c) GREIMAS, Algirdas J. Sémantique structurale. 2 ed. (revista e corrigida), Paris: Larousse, 1966. (d) ______ e COURTÉS, J. Dicionário de Semiótica. São Paulo: Cultrix, 1989.

Ramon Quintela

 


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Nome do Autor do verbete, s.v. "Verbete", E-Dicionário de Termos Literários, coord. de Carlos Ceia, ISBN: 989-20-0088-9, <http://www.fcsh.unl.pt/edtl> (data da consulta).

 

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Última actualização: 29-08-2009