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SENSIBILIDADE
Termo que designa simultaneamente uma doutrina moral e ascética,
e um estilo literário popularizado no século XVIII, que atingiu
o seu apogeu nas décadas de 40 e de 50 nos contextos cultural e
filosófico ingleses.
Os pressupostos desta doutrina assentam na ideia de que o homem,
enquanto inatamente virtuoso e benevolente, deseja de modo
sincero o bem estar de todos, e consequentemente é capaz de
sentir e compreender não só as suas próprias emoções, mas também
aquelas sentidas e experienciadas
por outrem. Os ideais patentes nesta doutrina do século
XVIII assumem-se como características indispensáveis enquanto
definição do carácter do indivíduo, e em sentido mais lato, de
ética social e de moralidade pública.
A doutrina da sensibilidade surgiu como reacção às teorias
racionalistas do século XVII, nomeadamente as de John Locke que
em Essay Concerning Human
Understanding (1690) defende que não existem ideias inatas e
que o homem nasce como uma tábua rasa, recebendo as suas
impressões do mundo exterior através dos seus sentidos; bem como
a teoria de Thomas Hobbes patente na obra
Leviathanem (1651)
onde se revela que o homem é na sua essência egoísta e se move
apenas por interesse próprio.
A literatura de sensibilidade encontra-se estreitamente
relacionada com a doutrina desenvolvida no século XVIII,
seguindo os mesmos fundamentos conceptuais. A exploração dos
sentimentos e das emoções é a temática central deste tipo de
literatura, na qual as cenas de amor sentimentais entre
personagens heróicas estão quase sempre patentes. Os autores
contemporâneos desta época revelam uma fascinação e um interesse
crescente pela literatura antiga, visível por exemplo em
Reliques of Ancient
English Poetry, em que o revivalismo da literatura inglesa
do passado se encontra visível. É frequente encontrar-se na
poesia do século XVIII os ideais do sublime que procurando criar
uma atmosfera de terror recorre a imagens de fantasmas, bruxas,
cemitérios e noite. Edmund Burke no seu tratado intitulado
The Sublime and the
Beautiful (1756) explicita que as sensações de dor, de
solidão e as vivências horríficas representam os elementos
essenciais para a literatura sublime.
Enquanto exemplos ilustrativos da literatura de sensibilidade
destacam-se, no que concerne à poesia
The Progress of Poesy
(1757), The Bard
(1757), ambas de Thomas Gray;
Jubilate (manuscrito
até 1939) Agno e A Song
to David (1763) de Christopher Smart;
The Diverting History of
John Gilpin (1782);
The Poet, the Oyster and Sensitive Plant (1782) e
The Task (1785) de
William Louper; à prosa:
Tristam Shandy (1759) e
A Sentimental Journey
(1768) de Laurence Sterne;
The Man of Feeling
(1771) de Henry Mackenzie; e finalmente o drama:
Pamela (1740) e
Clarissa (1747-1748)
de Samuel Richardson; e
The Modern Husband (1732) de Henry Fielding.
Na literatura de sensibilidade os sentimentos são, por vezes,
bastante exarcebados, o que conduziu a uma crítica tenaz na
época, e cujo melhor exemplo se encontra patente em
Sense and Sensibility
(1811) de Jane Austen. A sensibilidade levada ao extremo é
definida por alguns autores pejorativamente por sentimentalismo,
como forma de a distinguir da sensibilidade.
A literatura de sensibilidade, enquanto movimento cultural e
literário de antecipação ao romantismo, revela algumas
características de base comum com este estilo literário. À
semelhança do romantismo, a poesia de sensibilidade faz uso da
emoção como fonte de inspiração necessária à elaboração da
verdadeira e sincera poesia, retirada da própria vida emocional
do sujeito criador/poeta. Outras características partilhadas por
ambos os estilos literários são: o gosto pelo medievalismo, o
culto pelo primitivismo cultural, em que o homem vive em
plenitude com a natureza, sentindo-se, por conseguinte, livre,
virtuoso e feliz; a valorização das baladas e outros tipos de
literatura popular; o interesse pela poesia do sublime; e a
imaginação visionária.
A significação do termo sensibilidade evoluiu historicamente,
chegando mesmo a ser substituído no século XIX, por
sensitividade, embora este último não tenha vingado enquanto
termo literário.
Para T. S. Eliot, por exemplo, sensibilidade passou a designar a
forma idiossincrática de cada escritor ao responder intelectual
e emocionalmente, a uma dada experiência, e não uma referência
identificativa de um estilo poético particular.
No século XX, o termo adquiriu um significado bastante lato ao
designar simplesmente o carácter sensível inerente ao poeta. Na
década de 80 do século XX a sensibilidade enquanto termo de
crítica literária, quase se desvaneceu pelo facto de os estudos
do estruturalismo e do pós-estruturalismo privilegiarem a
análise da linguagem e do discurso em detrimento do sujeito
criador.
Apesar de o termo assumir sentidos ligeiramente diferentes no
decurso da história, a sua maior importância reside, no entanto,
enquanto termo definitório da doutrina e literatura do século
XVIII.
O final do século XVIII assiste ao aparecimento do movimento
romântico com a publicação de
Lyrical Ballads de
Wordsworth e de Coleridge em 1798 que marca uma ruptura com o
movimento literário anterior, exaltando os sentimentos do
sujeito poético face à sua visão sobre o mundo.
Bibliografia:
C. Hugh Holman, William Harmon,
A handbook
to Literature, s.d.;
Endereço de Internet
http://www.engl.virginia.edu/~enec981/dictionary/g-intro.html;
Frank Jordan (e.d.), The
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1972; Frank Kermode, John Hollander (general ed),
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Eighteenth Century
English Literature - Modern Essays in Criticism, 1977; John
Mullan, Sentiment and
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A Dictionary of Literary
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Paula Mendes
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