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SENTIMENTALISMO
Termo de conotação pejorativa aplicado a algumas obras
literárias de sensibilidade do século XVIII, nas quais estão
patentes sentimentos de índole exacerbada, e/ou a crença
exageradamente optimista, e consequentemente, irrealista na
bondade natural do homem.
Estas características do sentimentalismo são visíveis
especialmente no romance, na novela e na comédia sentimental,
figurando também posteriormente na literatura romântica.
O vincado pendor sentimentalista patente na literatura de
sensibilidade proveio de romances e novelas francesas, trazidas
na época para Inglaterra. O tema típico destes romances
sentimentais é o amor heróico entre membros da realeza,
nomeadamente príncipes e princesas. A substituição gradual do
romance pela novela, alargou o campo de acção amoroso para os
membros da nobreza e posteriormente com Cibber e Steele para
membros da classe média. As cenas amorosas entre os heróis
pretendem provocar deliberadamente lágrimas no leitor.
As personagens da comédia sentimental são descritas de modo
simplista, segundo a dicotomia Bem/Mal e o seu final é sempre
feliz. A novela sentimental, por seu turno, põe em relevo
padrões de moral e de honra procurando demonstrar que a explosão
de sentimentos puros e naturais corresponde ao perfil do homem
de sensibilidade. Quer a comédia, quer a novela sentimental
agradavam à classe média emergente que via na expressão de
sentimentos uma manifestação de virtude.
De entre as obras onde o sentimentalismo se encontra presente
destacam-se, a título ilustrativo:
The Man of Feeling
(1721) de Henry Mackenzie;
The Conscious Lovers
(1722) de Richard Steele;
The Enthusiast de Joseph Warton;
A Sentimental Journey
(1768) de Lawrence Sterne;
The Deserted Village
(1770) de Olivier Goldsmith;
The West Indian
(1771) de Richard Cumberland.
A literatura sentimentalista foi fortemente criticada e
satirizada na época por Jane Austen em "Sense
and Sensibility" (1811), marcando o início do declínio desta
moda literária.
Este género tem sido também alvo de alguns comentários menos
positivos por parte de alguns críticos literários modernos, que
consideram a literatura sentimentalista eivada de lugares-comuns
e de clichés, e a intensidade extrema patente nos sentimentos
descritos poderá provocar no leitor moderno o efeito contrário
àquele desejado pelo escritor do século XVIII.
O sentimentalismo é, assim, em larga medida definido pelas
tendências culturais e literários de cada época.
Comédia SentimentaL;
Sensibilidade; sentimentalidade
Bibliografia: L. I. Bredvold,
The Natural History of
Sensibility (1962); Maximillian E. Novak,
Eighteenth Century
English Literature (1983); Northrop Frye,
Towards Defining an Age
of Sensibility (1956); N. J. Bate,
From Classic to Romantic
(1946).
Paula Mendes
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