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SINESTESIA
[De
sin - + gr. aísthesis, «sensação» + - ia] Processo
estilístico que consiste na associação, pela palavra, de
duas ou mais sensações pertencentes a registos
sensoriais diferentes. A utilização de tal figura de
retórica permite a transposição de sensações, ou seja, a
atribuição de determinadas impressões sensoriais a um
sentido que não lhes corresponde. Por exemplo, na
expressão
“aquela cor é gritante”, a percepção visual (cor) como
que é ouvida, processo que acentua a intensidade da
mesma.
A sinestesia é uma figura de retórica que surge
intimamente ligada à metáfora e à imagem, como o podem
exemplificar os seguintes versos de Mário de Sá Carneiro
– “Insónia roxa. A luz a virgular-se em medo./ O aroma
endoideceu, upou-se em cor, quebrou/Gritam-se sons de
cor e de perfumes”. Tal situação levou mesmo alguns
linguistas a considerar este procedimento estilístico
como um tipo de metáfora ou, até mesmo, um grau de
metáfora, de acordo com o crítico J. Cohen , ideia à
qual a retórica antiga não foi alheia, referindo-se à
sinestesia como uma
metáfora afastada.
Embora já fosse utilizada na literatura
grecolatina, a sinestesia alcança maior notoriedade com
os poetas barrocos e simbolistas, tais como Quevedo,
Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, etc. Durante o período
barroco, esta figura de retórica foi inclusivamente
considerada, juntamente com a hipérbole, a antítese e a
metáfora, como uma das que melhor servia os ideais
estéticos de deleite e deslumbramento do leitor.
Recorde-se, a propósito, o conhecido soneto de Rimbaud –
“ A noir, E blanc, I rouge, U vert, O bleu (...)”
- ou os seguintes versos de Quevedo e de Tomás Pinto
Brandão respectivamente- “Si mis párpados, Lisi,
labios fueram,/ besos fueram los rayos visuales/ de mis
ojos (...)”;
“mostrando pura/Candidez, com afagos
transparentes/Beija na face as flores e as murmura”.
Bib: Fernandes Agudo: Noções de Estilística
(1945); Heinrich Lausberg: Elementos de Retórica
Literária (1993); Jean Cohen: Estrutura da
Linguagem Poética (1973); Michel le Guern:
Semântica da Metáfora e da Metonímia (1974); Pierre
Fontanier: Les Figures do discours (1977);
Carla Sofia Caneiro Escarduça
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