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Sociolingüística
Sociolingüística é a ciência que estuda a língua da
perspectiva de sua estreita ligação com a sociedade onde
se origina. Se para certas vertentes da lingüística é
possível estudar a língua de forma autônoma, como
entidade abstrata e independente de fatores sociais,
para a sociolingüística a língua existe enquanto
interação social, criando-se e transformando-se em
função do contexto sócio-histórico.
Desenvolvida em grande parte por William Labov (1969,
1972, 1983), a sociolingüística permitiu o estudo
científico de fatos lingüísticos excluídos até então do
campo dos estudos da linguagem, devido a sua diversidade
e conseqüente dificuldade de apreensão. Através de
pesquisas de campo, a sociolingüística - inspirada no
método sociológico - registra, descreve e analisa
sistematicamente diferentes falares, elegendo, assim, a
variedade lingüística como seu objeto de estudo.
A sociolingüística estuda a variedade lingüística a
partir de dois pontos de vista: diacrônico e sincrônico.
Do ponto de vista diacrônico (histórico), o pesquisador
estabelece ao menos dois momentos sucessivos de uma
determinada língua, descrevendo-os e distinguindo as
variantes em desuso (arcaismos). Do ponto de vista
sincrônico (mesmo plano temporal), o pesquisador pode
abordar seu objeto a partir de três pontos de vista:
geográfico (ou diatópico), social (ou diastrático) e
estilístico (contextual ou diafásico).
A perspectiva geográfica é horizontal, ou seja, implica
o estudo dos falares de comunidades lingüísticas
distintas em espaços diferentes, mas em um mesmo tempo
histórico. Os dialetos ou falares dessas comunidades
produzem os regionalismos. Os estudos de caráter
geográfico distinguem uma linguagem urbana - cada vez
mais próxima da linguagem comum - de uma linguagem
rural, mais conservadora, isolada, em gradual extinção
devido em grande parte ao avanço dos meios de
comunicação, que privilegiam a fala urbana.
A perspectiva social é vertical, ou seja, implica o
estudo dos falares de diferentes grupos dentro de uma
mesma comunidade. Os falantes são agrupados
principalmente por nível sócio-econômico, escolaridade,
idade, sexo, raça e profissão.
Desta perspectiva,
observa-se e analisa-se a distinção entre um
dialeto social/culto (considerado a língua padrão) - que
é preso à gramática normativa, é a língua ensinada nas
escolas e está em estreita conexão com o uso literário
do idioma e com situações de fala mais formais - e um
dialeto social/popular (considerado subpadrão) - mais
ligado à linguagem oral do povo e às situações menos
formais de comunicação.
Sob a perspectiva estilística, por sua vez, o
pesquisador estuda o uso que um mesmo falante faz da sua
língua. Considera que o falante realiza suas escolhas
influenciado pela época em que vive, pelo ambiente, pelo
tema, por seu estado emocional e pelo grau de intimidade
entre interlocutores. Tais fatores determinam a escolha
do registro (ou nível de fala) a ser utilizado pelo
falante quanto a: grau de formalismo (uso mais ou menos
formal da língua); modo (língua falada ou escrita); e
sintonia (maior ou menor grau de tecnicidade, cortesia
ou respeito à norma, tendo-se em vista o perfil do
interlocutor).
Bibliografia
LABOV, W. “Social stratification of English”.
Language 45: 315-29, 1969.
--------------.Sociolinguistic patterns. University of Pennsylvania
Press,
Philadelphia, 1972.
--------------. “Language structure and social
structure”. Trabalho apresentado na
Conference on Qualitative and Quantitative
Approaches to Social Theory, Chicago, Nov. 1983.
MARCELLESI, J.B. e GARDIN, B. Introdução à
sociolingüística.
Lisboa, Aster, 1975.
PRETI, D. Sociolingüística. São
Paulo, Edusp, 1994.
TARALLO, F. A pesquisa
sociolingüística. São Paulo, Ática, 1985.
TRUDGILL, P. Sociolinguistics: an introduction.
Great Britain,
Penguin Books, 1974.
Tatiana Piccardi
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