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SONETO
Género lírico de origem italiana
soneto, melodia
do franco provençal
sonet
diminutivo de
suono (som, melodia) vindo do latim
sonus.
Atribui-se geralmente a sua criação Petrarca, séc. XIV,
mas na realidade trata-se de uma forma métrica primeiro
documentada em Giacomo da Lentino, na primeira metade do
séc. III. É controversa a sua raiz, mas a teoria mais
autorizada será aquela que considera uma elaboração
feita a partir de formas da poesia popular da Sicília,
pátria de Lentino.
Ainda antes de Petrarca, que foi realmente o poeta que
mais aperfeiçoou o soneto, encontramos Guittone d’Aresso,
na segunda metade do séc. XII, que adoptou a rima
abba, a mais
rigorosa das quadras.
O soneto é composto por 14 versos com um esquema
rimático que forma duas quadras e dois tercetos. No
soneto dito petrarquiano ou regular, esse esquema é
sobretudo abba
abba cdc (cde) ded (cde). No entanto, já no
renascimento foram usados diversas variantes. A mais
notável é a do “soneto inglês”, no qual o esquema passa
a ser três quadras e um dístico. O verso usado é o
decassílabo, embora actualmente sejam aceites outras
formas. Quanto ao conteúdo, as quadras expõem o assunto,
cujas conclusões aparecem nos tercetos ou, no caso
inglês, no dístico. O soneto foi cultivado em todas as
épocas, mesmo quando o Romantismo iniciou o culto do
verso branco. Como escreveu António Coimbra Martins no
Dicionário de
Literatura, trata-se de “um caso único de
sobrevivência de um molde literário à evolução e às
revoluções do gosto”.
Maria Leonor Machado de Sousa
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