CRONOLOGIA
Hégira / d.C.
I - Conquista e Emirato dependente 
92 / 711
Târiq ibn Ziyâd entra na Península Ibérica com o seu exército. Toma Carteia e Algeciras. Batalha de Guadalete, em 28 Ramadão 92 / 11 Julho 711. Tomada de Écija, Toledo, Guadalajara e Almeida (onde encontram a Mesa de Salomão). O exército passa o Inverno na Amaia (Marvão). Mugith al-Rûmî, chefiou a tomada de Córdova, e superintendeu nas tomadas de Málaga e Granada. Primeira capitulação de Teodomiro, senhor de Orihuela.
93 / 712
Mûsâ ibn Nusayr chega à Península. O seu filho ‘Abd al-‘Azîz conquista Beja e Ocsónoba. Mûsâ toma Sevilha, Mérida, Viseu e Lugo. Os visogodos de Sevilha, em fuga, refugiarm-se em Beja.
94 / 713
Os visogodos refugiados em Beja e Niebla reconquistam Sevilha, por um curto período. ‘Abd al-‘Azîz ibn Mûsâ reconquista-a em seguida. Acordo de capitulação estabelecido entre ‘Abd al-‘Azîz ibn Mûsâ e Teodomiro filho de Gobdux, senhor de Orihuela, que concedeu a este último um regime de autonomia ante o poder islâmico.
95 / 714
Capitulação sem resistência de Évora, Santarém, Lisboa e Coimbra, ante ‘Abd al-‘Azîz ibn Mûsâ. As regiões a norte do Tejo, até ao Mondego, ficaram também sob regime de autonomia, de natureza idêntica ao antes estabelecido com Teodomiro. A capital desta região foi, durante um século, Coimbra.
123 / 741
Revolta dos berberes estabelecidos na Península Ibérica, especialmente na Galiza e actual norte de Portugal.
124 / 742
Os exércitos comandados por Balj ibn Bishr instalam-se em al-Andalus. O jund (corpo militar) do Egipto estacionou-se nas regiões Beja, Ocsónoba e Jaén.
127 / 745
O deposto governador Abû-l-Khattâr al-Kalbî, dirigiu-se às regiões de Mérida e Beja para conseguir apoios com que pudesse ir contra Córdova.
131 / 748-9
‘Urwa ibn al-Walîd revolta-se em Beja contra o emir Yûsuf al-Fihrî, chegando a tomar Sevilha. Yûsuf retoma a cidade e faz executar o cabecilha da revolta.
133 / 750
Início da dinastia Abácida, no Oriente. Massacre dos Omíadas em Abû Futrus.
133-138 / 750-755
Anos de fome em al-Andalus.
138 / 755
Chegada a al-Andaluz, desembarcando em Almuñecar, do príncipe omíada ‘Abd al-Rahmân, escapado do massacre de Abû Futrus.
II - Emirato Independente 
139 / 756
O príncipe omíada ‘Abd al-Rahmân, ao vencer as oposições, torna-se o primeiro Emir independente de al-Andalus.
146 / 763
Revolta yahsubita pró-abássida em Beja e outras regiões do Gharb. Apoio cristão à revolta.
146 / 763-4
O Emir ‘Abd al-Rahmân I ataca os cristãos de Beja, Évora, Santarém, Lisboa e de todo o ocidente, que apoiavam as revoltas yahsubitas. A autonomia dos cristãos dos espaços entre Tejo e Mondego ter-se-á consequentemente enfraquecido.
148 / 765 - 156 / 772-3
Período de revoltas yahsubitas contra o poder centralizador de Córdova, em todo o espaço a sul do Tejo e a ocidente de Sevilha, e onde os Yahsûbî eram dominantes.
151 / 768-9 - 160 / 776-7
Shâqiya’ (ou Sufyân) ibn ‘Abd al-Wâhid, berbere dos Miknâsa, possivelmente natural da Egitânia, e professor, chefiou uma revolta contra o Emir. Dizia-se descendente do Profeta Muhammad. Matou o governador de Mérida, e esta tornou-se a capital da revolta. O seu poder alastrou-se por um espaço entre as bacias do Tejo e do Guadiana, com as praças fortes de Cória, Santaver e Medellín, além de Mérida. Este movimento teve grande repercussão entre os berberes, principalmente do ocidente peninsular. Naquela última data foi assassinado, à traição, por dois partidários.
171 / 788
Morte de ‘Abd al-Rahmân I. Sucede-lhe seu filho Hishâm I.
171 / 788 - 179 / 796
No reinado de Hishâm I dá-se a introdução da escola jurídica malikî em al-Andalus, a qual veio a tornar-se a escola dominante e sustentáculo legal do poder.
179 / 796
Morte de Hishâm I. Sucede-lhe seu filho al-Hakam I.
181 / 797-8
Afonso II das Astúrias ataca e saqueia Lisboa, e semeia a insegurança entre o Tejo e o Mondego.
a) revoltas moçárabes 
182 / 799-800 ? - 192 / 807-8 ?
Tumlus, possível notável local, de origem desconhecida, independentisa Lisboa e a região até ao Mondego
190 / 805 - 198 / 813
O berbere Asbagh ibn Wânsûs independentisa Mérida.
192 / 807-8
Hazm ibn Wahb, alegado moçárabe, revolta-se em Beja e toma Lisboa.
193 / 809
O príncipe Hishâm, filho do Emir al-Hakam, pacificou o Gharb: ocupa Lisboa, ante a rendição de Hazm ibn Wahb, e toma Coimbra, pacificando as regiões a norte do Tejo. Fim da autonomia moçárabe. Coimbra, até então a principal cidade daquele espaço, perdeu a sua preeminência. Santarém, nova sede do poder islâmico na região, onde al-Hakam I mandou construir uma mesquita. O rio Douro como fronteira.
198 / 813
É reconquistada Mérida, pelas forças cordovesas.
205 / 822
Morte de al-Hakam I. Sucede-lhe seu filho ‘Abd al-Rahmân II.
210 / 825-6
Expedições militares islâmicas que saem de Coimbra em direcção ao norte cristão, uma delas passando por Viseu.
b) revoltas muladis 
211-3 / 826-8
Revolta conjunta de berberes e muladis, em Mérida, e chefiada por Mahmûd ibn al-Jabbâr e por Sulaymân ibn Martîn. Os revoltosos matam o representante do Emir, Marwân al-Jillîqî.
219 / 834
Submissão de Mérida. Os chefes da revolta, Sulaymân ibn Martîn foi morto próximo de Trujillo, e Mahmûd ibn al-Jabbâr, em fuga, esteve na zona deBeja e possivelmente também na de Ossónoba, antes de se por ao serviço de Afonso II das Astúrias.
229-30 / 844-5
Primeiro ataque normando ao al-Andalus: cercam Lisboa e saqueiam os arredores. Depois atacaram Cádis, Sidónia e Sevilha. Ao retirarem para norte pilharam Niebla, Ossónoba e Beja e Lisboa.
234 / 848-9
Faraj ibn Khayr al-Tutaliqî, governador de Beja, revolta-se, episodicamente, contra o poder emiral.
235 / 850
O poeta Yâhyâ al-Ghazzâl dirige-se aos territórios normandos, como embaixador do Emir ‘Abd al-Rahmân II. Tendo-se deslocado por mar, saíu pelo porto de Silves.
237 / 852
Morte de ‘Abd al-Rahmân II. Sucede-lhe seu filho Muhammad I.
245 / 859
Na segunda invasão foram aprisionados dois navios normandos nas costas a ocidente de Beja, com toda a sua carga.
246 / 859-60
Sa‘dûn ibn Fath ash-Shurunbaqî, futuro líder muladi no Gharb, foi aprisionado pelos Normandos, que o libertaram mediante resgate pago por um mercador judeu.
c) autonomias muladis 
254 / 868
Início das sublevações muladis no Gharb al-Andalus. ‘Abd al-Rahmân ibn Marwân al Jilliqî revolta-se pela primeira vez em Mérida. Vencida a revolta, os cabecilhas vão para Córdova.
259 / 873
Ano de fome em al-Andalus.
261 / 874-5
Depois de abandonarem Córdova, os cabecilhas muladis regressam ao ocidente peninsular. Segunda revolta muladí.
‘Umar ibn Makhûl, senhor muladi de Juromenha, aliado de ‘Abd al-Rahmân ibn Marwân al Jilliqî. Sa‘dûn al-Shurunbâqî, então no norte, vem para Juromenha. Tentativa de cerco de Juromenha pelo exército emiral comandado pelo próprio Emir Muhammad, e posterior desistência, por temerem a grande força militar concentrada em Juromenha. Em alternativa, foram cercar Ibn Marwân al-Jilliqî na fortaleza de Alanje. Ibn Marwân acaba rendendo-se.
262-271 / 875-86
Ibn Marwân transforma, durante este período, o povoado de Badajoz, na cidade capital dos seus domínios. Para a construção da respectiva mesquita obteve o apoio do próprio emir ‘Abd Allâh.
262 / 876
Nova rebelião muladí. O Emir envia um exército chefiado pelo seu filho al-Mundhir. Ibn Marwân refugia-se em Karkar (Albuquerque ?). Sa‘dûn refugiou-se na fortaleza de Monsalude. Makhûl vai socorrer Ibn Marwân. Tendo-se dirigido a Karkar, a conselho de Sa‘dûn, é atacado ali pelo exército emiral, e ali terá morrido, pois não volta a haver referências a Makhûl.
263 / 876-7
Com Badajoz destruída por al-Walîd ibn Ghanîm, general omíada, Ibn Marwân retira temporariamente para a zona de Lisboa. Busca depois a protecção de Afonso II das Astúrias, com quem retorna ao sul, raziando a região de Mérida, que entretanto tinha sido controlada pelo Emir. Depois funda, junto à linha do Tejo, a Amaya Ibn Marwân (origem da actual Marvão), onde se fortifica. Posteriormente faz avançar tropas em direcção a Beja e a Ossónoba.
263 / 876-7 - 317 / 929
Outras autonomias muladis no Gharb, para além dos Banû Marwân:
- Ossónoba, senhoreada pelos muladis Banû Bakr ibn Zadlaf (Zadulfo), aliados dos Banû Marwân;
- Beja e Mértola, dos Banû al-Jawwâd al-Tutâliqî, também aliados dos Senhores de Badajoz;
271 / 883-4
O principe herdeiro al-Mundhir destruíu Badajoz, tendo Ibn Marwân fugido para a fortaleza de Achirgarra (?).
274 / 886
Morte de Muhammad I. Sucede-lhe seu filho al-Mundhir.
276 / 888
Morte de al-Mundhir. Sucede-lhe seu irmão ‘Abd Allâh.
277 / 889
Coimbra é conquistada pelo senhor cristão Hermenegildo Guterres.
284 / 897
O general omíada Ahmad ibn Ilyâs tomou Mérida e Santarém, cujas populações se submeteram ao Emir e foram perdoados.
287 / 899
Nasce em Lisboa o místico al-Zâhid al-Ushbûnî al-Masmudî.
294 / 906
O hâjib Badr apoderou-se de Niebla, Mérida e Santarém.
295 / 907
O Emir ‘Abd Allâh, na fase final do seu reinado confia oficialmente o governo de Ossónoba, com a capital em Silves, ao até então segundo senhor muladi de Ossónoba, Yahyâ ibn Bakr.
300 / 912
Morte de ‘Abd Allâh. Sucede-lhe seu neto ‘Abd al-Rahmân III.
301 / 913
O príncipe Ordonho da Astúrias, futuro Ordonho II, toma, saqueia e massacra a população de Évora. Posterior destruição das muralhas de Évora, por ordem de ‘Abd Allâh ibn Marwân al-Jilliqî, para que os berberes Miknasa não se instalassem lá, e consequente ermamento da cidade.
302 / 914
Mas‘ûd ibn Sa‘dûn al-Shurunbaqî e os seus seguidores, que tinham deambulado entre Aroche, Beja e Alcácer do Sal, acabam refundando e reocupando Évora, sob a protecção do senhor de Badajoz.
303 / 915
Fome em al-Andalus.
304 / 915-6
‘Abd Allâh ibn Marwân al-Jilliqî submete pelas armas os senhores muladis de Beja, Ossónoba e Niebla.
III - Califado 
317 / 929
O monarca omíada assume nesse nesmo ano as titulaturas de ‘Califa’ e de ‘Príncipe dos Crentes’.
Neste mesmo ano submete os senhores de Badajoz, Beja e Ossónoba. Manda ainda construir uma alcáçova no centro da cidade de Beja, para prevenir futuras sedições.
324 / 935-6
O visir Yahyâ ibn Ishâq, saindo de Badajoz em algara contra os cristãos, conquistou Trancoso e uma outra praça ainda não identificada (Rb.qîra).
326 / 937-8
Umayya ibn Ishaq al-Qurashî de Santarém subleva esta cidade contra‘Abd al-Rahmân III, por este último ter morto um irmão daquele, o vizir Ahmad ibn Ishaq, a quem eram atribuídas opiniões xiitas.
329 / 940-1
A cidade de Badajoz foi integrada no governo de Ossónoba.
351 / 961
Morte de ‘Abd al-Rahmân III. Sucede-lhe seu filho al-Hakam II.
355 / 966
Desembarque normando nas costas do Gharb: Alcácer do Sal e Lisboa. Batalha violenta nas imediações de Lisboa. A esquadra de Sevilha enfrentou a esquadra normanda na foz do Arade, vencendo-a e destruindo muitos dos seus navios e libertando muitos dos cativos.
359 / 970
Morre em Lisboa al-Zâhid al-Ushbûnî al-Masmudî, jurista e asceta muçulmano natural de Lisboa..
366 / 976
Morte de al-Hakam II. Sucede-lhe seu filho Hishâm II.
375 / 985
Primeira conquista de Coimbra por al-Mansûr, o poderoso hâjib (primeiro-ministro) de Hishâm II.
377 / 987
Al-Mansûr reconquista Coimbra e toma também Viseu.
387 / 997
Al-Mansûr conquista e destrói Santiago de Compostela. Nessa expedição participou uma armada que tinha sido equipada em Alcácer do Sal, e que na foz do Douro, na zona de Porto-Gaia produziu uma ponte com os navios para permitir o rápido cruzamento fluvial por parte do exército terrestre que vinha de Córdova. Os senhores cristãos da região de Coimbra incorporaram o exército de al-Mansûr e participaram na campanha. No regresso, em Lamego, al-Mansûr recompensou e despediu os vários senhores cristãos que o tinham auxiliado.
393 / 1002
Morre al-Mansûr. Sucede-lhe, como hâjib o seu filho ‘Abd al-Malik Al-Muzaffar
398 / 1008
Morte de Al-Muzaffar. Sucede-lhe como hâjib seu irmão ‘Abd al-Rahmân Sanchuelo.
399 / 1009
Morte de ‘Abd al-Rahmân Sanchuelo, último filho de al-Mansûr neste cargo. A sua morte precipita a grande sedição (fitna) que conduzirá ao final do califado e à desagregação territorial que conduzirá às Taifas.
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